User Login

A eficiência do transporte vertical

eficiencia do elevador

Ninguém vai até uma concessionária, olha para um carro e já prepara o cheque. Em geral, a ação de comprar um automóvel é bem mais complicada do que isso. São levados em consideração a potência do motor, a qualidade das peças, os opcionais e a necessidade pessoal ou profissional. Com os elevadores acontece praticamente a mesma coisa, com a diferença de que o automóvel pode ser trocado a qualquer momento. No caso do elevador, a troca demandaria obras civis e uma verba polpuda. Mesmo assim, a lista de cuidados e itens a serem verificados pode ser similar.

O poço do elevador é uma das partes da construção que requer mais cuidado. Um dos itens mais críticos é o desaprumo ao longo dos andares. A caixa deve ficar em um vão uniforme e é preciso atenção redobrada para que o desaprumo seja mínimo. A tolerância é, em geral, de 2 cm, para que não haja prejuízo à velocidade desenvolvida pelo equipamento.

A empresa escolhida para fornecer os elevadores checa o desaprumo no momento de instalar os equipamentos e aciona a construtora se houver algum problema. Um olhar crítico, porém, evita atrasos na obra e gastos desnecessários.

É fundamental verificar tamanho, altura e localização do poço. Em prédios residenciais, a caixa não deve ficar perto de dormitórios, por causa da acústica. Caso isso seja previsto no projeto, é necessária a construção de uma outra parede entre o elevador e a alvenaria para absorção de som. Na legislação do Contru (Departamento de Controle e Uso de Imóveis), o máximo de ruído permitido é de 40 dB.

É necessária a construção de uma viga, de forma que o vão de abertura da porta fique na altura correta para o encaixe do elevador - considerando um pé-direito de 3 m, em média, e portas de elevadores com altura entre 2 e 2,20 m. No caso de altura maior do pé-direito, considera-se uma viga intermediária.

No quesito escolha, uma preocupação das construtoras é a dificuldade de equalizar as concorrências. Há diferença de preços entre os itens que podem ser retirados para baratear a obra, de fornecedor para fornecedor. Para Luis Mundin, supervisor de marketing para novas instalações da Atlas Schindler, uma especificação clara das construtoras sempre ajuda na hora de fechar um orçamento e discutir os recursos técnicos.

Desempenho

A performance necessária para transportar passageiros em um elevador depende da destinação do prédio. Para edifícios residenciais, o ideal são equipamentos que acomodam de oito a 15 pessoas e rodam com velocidade média de 1 m/s. Aqui, o importante é o conforto dos passageiros e a economia gerada pela velocidade mais baixa.

Para essa área, o mercado oferece boas opções, como os elevadores sem casa de máquinas. A vantagem construtiva é muito grande, pois, com esse equipamento, o edifício ganha área explorável, ou seja, mais espaço para construção. Além disso, a cobertura do anexo fica livre sem que a arquitetura seja comprometida.

Atualmente, os elevadores sem casa de máquinas são comercializados pelos fabricantes em duas versões: em uma delas, a máquina fica presa em um compartimento dentro do poço e a transmissão é feita por cabo de aço. O contrapeso fica na lateral e o comando, no último pavimento. Na outra versão, a máquina fica no topo do poço do elevador e o quadro de comando em uma posição estratégica do prédio, em geral, pavimento superior, já que o tamanho é muito menor do que o dos modelos convencionais.

Os equipamentos sem casa de máquinas são uma resposta a um desejo antigo das construtoras e facilitam a vida dos engenheiros civis. Com o advento desses modelos, o problema da construção da casa de máquinas - uma das últimas etapas da obra - deixa de existir e se ganha tempo.

A solução, no entanto, não é recomendada para todos os tipos de edificações. Serve apenas para prédios de até 18 andares, com elevadores pequenos ou médios e velocidades mais baixas.

Para trabalho
Por terem alto tráfego durante diversos períodos do dia, elevadores comerciais têm exigências diferentes para que se decida o modelo, tamanho e velocidade. Para escolher o que mais se encaixa na edificação, deve-se considerar uma equação: capacidade + intervalo de tráfego = menos tempo de espera.

Ao fazer essa conta, é fundamental conhecer a destinação do prédio: qual é o padrão de ocupação e média de pessoas que entram e saem do edifício diariamente. "Dessa forma, fica mais fácil escolher o equipamento certo", explica Moacyr Motta Filho, da Empro Engenharia, empresa especializada em consultoria para transporte vertical.

Em um prédio comercial é preciso levar conforto ao usuário, sem deixá-lo esperar uma eternidade pelo elevador no hall. O ideal, nesse caso, são os elevadores com velocidades de até 2,5 m/s. A velocidade escolhida define o tamanho da cabina. O projetista também deve avaliar o número de paradas prováveis.

Faz-se, então, um dimensionamento empírico de quantas pessoas serão transportadas, o que difere de acordo com a destinação do edifício. No caso de um edifício comercial com diversos escritórios, cada elevador leva 12% das pessoas que trabalham ou visitam o edifício em cinco minutos. Em uma escola, esse número sobe para 20% e assim por diante.

"O sistema de elevadores comerciais precisa ser inteligente, pois a eficiência do transporte é essencial", diz Motta Filho. E as opções são vastas. Existem tecnologias que trazem economia de energia elétrica, diminuem o tempo de espera dos passageiros e tornam a viagem mais prazerosa.

Opcionais de luxo

Há recursos de voz - os passageiros ouvem a indicação do andar que o elevador vai parar - música ambiente, comandos automáticos, jornais eletrônicos e até monitores de TV. Tudo depende do padrão do prédio. Em alguns casos, como edifícios que acomodam apenas uma empresa, o elevador pode ser privativo, funcionando com a utilização de cartão magnético.

Uma das dicas para economizar tempo e dinheiro é o agrupamento, um sistema baseado em inteligência logística. Ao chamar o elevador, o passageiro é atendido pelo que estiver mais próximo. No caso da construtora optar por esse tipo de sistema, o ideal são cabinas médias ou grandes. O custo é compensado pela velocidade.

Outra forma de gerenciar elevadores comerciais é o zoneamento. De acordo com esse sistema, cada grupo de equipamentos atende uma quantidade de andares. Aqueles que servem andares mais altos são mais velozes. Os que ficam nos andares mais baixos economizam energia porque não precisam de tanta velocidade para funcionar. A vantagem desse sistema é praticidade e economia de energia: até 30%.

O zoneamento, porém, não é indicado para todos os tipos de prédio: atende melhor os mais altos. Nesse caso, o condomínio também ganha em área comercial, já que há a possibilidade de construção da casa de máquinas em andares intermediários.

Para prédios com grande tráfego de pessoas, outro sistema disponível é a chamada antecipada. Os comandos microprocessados enviam o carro mais conveniente (que esteja mais próximo do andar) quando um passageiro chama o elevador. Quem comanda as viagens é o sistema pré-programado.

Estética

Os elevadores também são pensados de forma estratégica no que diz respeito a design. A escolha de detalhes de acabamento pode deixar o ambiente mais agradável para os passageiros. É como escolher opcionais para um carro: depende do estilo do dono.

Os fabricantes de elevadores têm diversas opções de pintura da porta, acabamentos de aço inox, lixado ou escovado para portas e paredes, piso rebaixado, acarpetado ou vinílico e sistemas diferenciados de iluminação.

O número de opcionais, porém, parece não se encaixar nas necessidades de todas as edificações. Existem hoje cinco tipos de edifícios, que vão do altíssimo ao baixo padrão. Para as categorias intermediárias, há dificuldade em se encontrar peças que façam a diferença em termos de acabamento. "Não há uma grande preocupação com design, talvez em decorrência do preço elevado desse equipamento, mas creio que seria muito importante flexibilizar os acabamentos", diz Renata Marques, que coordena projetos para a construtora Inpar.

Ainda de acordo com Renata, já existem empresas especializadas em decoração de elevadores, mas o custo é alto. Assim, a contratação se limita aos edifícios de altíssimo padrão. Para os demais, a escolha fica entre os itens existentes.

As empresas fornecedoras rebatem, explicando que o volume de vendas desse mercado - que gira em torno de sete mil unidades/ano - não favorece a abertura de muitas opções. E sinalizam que, em geral, as construtoras também são conservadoras nas escolhas, quando as alternativas são mais amplas.
       
Manutenção
A freqüência da manutenção de elevadores é controlada pelas normas do Contru. A cada 30 dias, cada um dos carros deve ser revisado. A troca de peças depende do tempo de uso e da quantidade das viagens. Mas conforme o tempo de uso vai aumentando, cresce também a necessidade de reparos.

Os pontos mais vulneráveis de um elevador são justamente aqueles que estão mais próximos dos passageiros: portas, sinalizadores e comandos. A máquina de um elevador é muito durável e continua assim por anos se a manutenção for feita da forma correta. Depois de algum tempo de uso, ainda é possível fazer uma modernização (veja boxe). Ou seja: se bem cuidado e atualizado de tempos em tempos, um elevador é uma ferramenta quase eterna para um prédio.

Diferencial necessário
A nova edificação da AACD (Associação de Apoio à Criança Deficiente) não segue o padrão tradicional de instalação de elevadores. No edifício - que engloba escola, administração, área de atendimento ao cliente, consultórios e estacionamentos - a casa de máquinas não fica na cobertura, e sim no térreo.A obra foi desenvolvida dessa forma para que se evitasse barulho
na cobertura, que fica ao lado de um edifício de internação.  Além disso, a solução possibilita a ampliação vertical sem interrupção do uso dos elevadores. O prazo da obra também foi encurtado: enquanto a construção seguia, a Thyssen Krupp, fornecedora do equipamento, pôde edificar a casa de máquinas simultaneamente.

Em relação aos componentes, pouca coisa mudou. Circuitos microprocessados, redutores e outras peças têm o mesmo princípio. O que difere é a posição das polias e motores, que se aproximam do poço, quase encostados na parede. Isso facilita a tração direta dos cabos de aço. A idéia arrojada, no entanto, demandou a utilização de uma polia a mais, o que divide a vida útil dos cabos pela metade. Como os custos desse item são baixos, a mudança foi considerada viável.

A manutenção também é facilitada pela localização, pois não há necessidade de levar equipamentos para a cobertura e, caso os mecânicos precisem de alguma coisa, estão a alguns passos da rua.

De acordo com Maurício Linn Bianchi, da BKO, empresa que prestou consultoria ao projeto, os benefícios foram diversos: conforto arquitetônico, redução de prazo, menos consumo de cabos, mais segurança aos usuários - visto que as manutenções são feitas no térreo ou no subsolo, o que evita o entra-e-sai no prédio - menos barulho na cobertura e possibilidade de uso provisório antecipado, além da possibilidade de crescimento vertical.

Os custos do projeto também foram colocados na balança quando da escolha pela casa de máquinas no térreo, em longo prazo. Em curto prazo os valores empataram: os elevadores foram mais caros, mas houve economia com cabos e com mão-de-obra estrutural, já que a edificação ficou pronta em menos tempo.       

Estima-se que, atualmente, 60% do parque de elevadores no Brasil esteja obsoleto. Mas a boa notícia é que quase todos podem ser reformados, aumentando o conforto e melhorando a performance do equipamento. A procura por esse tipo de serviço tem sido grande. Isso porque os próprios condôminos - residenciais ou comerciais - pedem por modernidade sempre.

Esteticamente falando, a modernização leva em conta itens como portas, sinalização, cabina (piso, subteto e iluminação) e controle. Outro item importante é o mecânico. As empresas que fornecem esse serviço aproveitam a estrutura e o motor e trocam peças antiquadas, diminuindo vibração e ruído durante a viagem. "Recomendamos que a atualização seja feita sempre pela empresa que presta a manutenção do elevador, pois o aumento de peso na cabina é significativo, sendo necessário o rebalanceamento dos pesos do sistema", alerta Silvio Robusti, supervisor de marketing - Modernização, da Atlas Schindler.

Além de estética e conforto, o que conta é a economia: elevadores antigos gastam mais, pois utilizam a mesma quantidade de energia sem levar em conta a velocidade e a trajetória de uma viagem. Já os sistemas atuais, comandados por módulos microprocessados, contam com variadores de tensão de freqüência, ou seja, consomem energia apenas para transportar o número de pessoas que está dentro do elevador para os andares de destino. Isso pode representar economia de 30% a 40% de energia elétrica.

Na casa de máquinas, o benefício também é aparente. Troca-se os controles com relês, placas elétricas antigas e bobinas, que queimam facilmente, pelos módulos microprocessados. Essa tecnologia pode se traduzir também em menos quebras e economia na manutenção mensal.

Tantas mudanças significam gastos a mais aos condôminos do prédio, mas as empresas têm à disposição dos consumidores pacotes customizados.
Se o desejo é apenas melhorar a parte estética há a opção de mudança dos sinalizadores, botoeiras e portas, por exemplo. A idéia é reformar a parte mecânica? Basta escolher os itens. E assim por diante. Dessa forma, é possível promover as modificações necessárias em períodos espaçados, conforme a disponibilidade financeira.

De acordo com Edinilson Gomes, gerente comercial de serviços da Elevadores Otis, em quase 100% das máquinas é possível realizar a modernização. "São raros os casos em que isso fica impraticável como, por exemplo, quando um prédio foi projetado para atender a determinado número de passageiros, mas agora recebe muito mais gente e precisa de cabinas maiores, o que pede uma nova estrutura de poço." De resto, tudo pode ser alterado sem demanda de obra civil e parada do elevador por um longo período de tempo.